sábado, 12 de junho de 2010

Todas crianças crescem, exceto uma...

Eu sou assim, penso, e quase que impulsivamente preciso escrever e colocar pra fora tanta lembrança, tanto sentimento que vem à tona de repente. Sou mesmo uma manteiga derretida, ou talvez eu seja uma exceção nesse mundo; inocente demais, boba demais, e morra cedo por causa disso, quem sabe eu encontre o caminho da terra do nunca mais cedo do que imaginei, e por deixar a janela aberta esperando o Peter Pan, a realidade apareça e um louco me dê um tiro na cabeça pela janela do meu quarto. Talvez por isso eu nunca deixei...talvez por isso eu, quando criança esperava sempre ele vir me buscar e me dar um dedal de costura, assim como fez com a Wendy. Quem sabe por isso eu cresci e percebi que a vida é pra valer, talvez por isso eu também tenha esquecido de algumas coisas.... Mas a teimosia é grande e eu sinto como se ainda fosse aquela garotinha pequena que acredita mesmo que ele exista. Sim, estou falando o Peter Pan MESMO. provavelmente você estará rindo nesse momento e pensando que eu usei alguma droga forte, ou que eu sou louca mesmo; não importa...

Quando criança eu era apaixonada pela história do Peter Pan e já fiz minha mãe alugar por 3 semanas seguidas o desenho que a Disney fez sobre essa obra. Tinha uma agenda com versinhos, onde tinha várias fotos do Peter Pan. Sempre gostei de ser criança, e isso ainda vive em mim até hoje. Um dia, minha mãe também me proibiu de fazer algumas coisas, por que disse que tinha que crescer, exatamente como na história da Wendy, e me deparei pela primeira vez percebendo porque me identificava tanto com aquela história.
Talvez por ter sido uma criança sozinha...por me sentir como os meninos perdidos, tendo as maiores alegrias da vida em coisas simples como brincadeiras imaginárias. Por outros motivos que não convém expor aqui... sempre me identifiquei, e sempre pensei que houvesse um lugar no mundo, onde nós poderíamos nos divertir pra sempre, e não nos preocupar. Aonde a única preocupação era o Senhor Capitão James Gancho, vulgo cabeça de bacalhau!
É sério. Eu acreditava no Peter Pan
Não, eu não acredito mais.
E me sinto culpada por ter crescido, é como se cada vez que eu pensasse nisso, ele perdesse uma parte do corpo, se existisse.... assim como uma fada morre cada vez que se diz que não acredita nelas. Meu TCC da faculdade de História seria sobre os momentos históricos da história do Peter Pan (piratas, índios, londres) todo mundo riu e achou um absurdo quando eu falei....hahahahah e eu entendo. Mudei de faculdade e não vou mais fazer isso... tenho que crescer! estou fazendo administração pra sobreviver ao mundo real das dívidas! Mas assim que voltar à fazer história, meu projeto continua. e farei com o maior prazer do mundo. Preciso mostrar pro mundo cada detalhe dessa história que tem grande parte da culpa por eu ser quem sou.
Pois bem, acabei de assistir um filme que já assisti muito na minha infância também... Hook, aonde o Robin Willians faz o Peter Pan já velho....casado com a neta da Wendy, e esqueceu de tudo oque aconteceu antes de deixar a terra do nunca. Esqueceu quem era e da essência de ser daquele jeito.Esse filme, assim como os outros que já assisti sobre o Peter Pan, me desperta a vontade de deixar a janela aberta, ainda esperando ele. me dá vontade de não me preocupar com as responsabilidades da vida e sair voando, segunda estrela adiante, rumo à terra do nunca.
O personagem de Robin Willians, já com filhos e esposa, quando volta pra casa no fim do filme, sente o lado bom de ter crescido, e conquistado novas coisas no mundo real. Percebe o valor de um abraço da família, mas agora, lembrando de quem era, ele sabe que a criança nunca morrerá dentro dele, e que ele pode usá-la quando quiser. Essa é a diferença...eu sempre fiz isso. Nunca deixei e nunca vou deixar essa criança morrer. Por maiores que sejam as minhas responsabilidades, por mais que seja corrido a minha vida, eu sempre vou ter uma boa gargalhada para dar da coisa mais tonta do mundo, sempre vou tratar bem as pessoas e acreditar que as coisas podem dar certo. acreditar no conto de fadas da vida, e que as coisas podem se resolver de maneira civilizada. Acreditar na vida real, fazer o faz de conta acontecer com os pés no chão, e um pouco de pó mágico.

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